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Um pedaço do Japão dentro
da cidade de São Paulo

Domingo (20) estava em casa com um amigo e ficamos sem saber o que fazer para o almoço. Depois de muito pensar, olhamos pela janela a beleza daquele dia ensolarado, decidimos unir o útil ao agradável e passear no bairro da Liberdade e almoçar aquelas maravilhosas comidas orientais.
Claro, nem tudo são flores. Chegando no bairro a difícil tarefa de encontrar uma vaga para estacionar. Se quiser fugir dos guardadores de carro tem que procurar ruas um pouco mais distantes, ou nem tão pouco, uns quatro ou cinco quarteirões para deixar seu carro tranquilamente na sombra. As ruas muito próximas a Praça da Liberdade são as piores e dificilmente achará uma vaga. Eu por exemplo, deixei meu carro na Rua Pirapitingui. Caminhar faz bem à saúde.
O ponto de partida é a Praça da Liberdade, onde existe uma feirinha com várias barracas de comida orientais e brasileiras e ainda muitas de artesanatos. No entorno alguns hotéis, mercadinhos e lojas de souveniers, inclusive uma loja da rede americana MC Donald´s que traz em seu letreiro inscrições no idioma oriental.
Normalmente não faço a opção de comer nas barracas da feirinha, são muito concorridas e tumultuadas, sem contar que a espera para seu prato ficar pronto é grande. O horário de pico é a partir vai das 12h. até mais ou menos umas 15h (a feira funciona até 19h.), depois fica um pouco mais tranquilo. Entre o Largo da Pólvora e a Praça da Liberdade, na própria Av. Liberdade, existem alguns vendedores de comidas orientais que montam até pracinha de alimentação. Apesar do lugar não ser nenhum primor no quesito beleza, os preços são bem mais convidativos, um prato de yakishoba tamanho grande sai por volta de R$6,00. O refrigerante tem que comprar de um outro vendedor, pois ali todos tem que ganhar seu dinheirinho, digamos, a união dos trabalhadores da economia informal.
Depois do almoço farto vale a pena uma caminhada pelas ruas próximas. Na principal, a rua Galvão Bueno tem uma série de lojas com quinquilharias de todos os tipos. Você encontrará desde animais feitos com pedras semi preciosas adoradas pelos turistas estrangeiros até as últimas novidades em panelas e cafeteiras elétricas. Alguns supermercados e mercearias de pequeno e médio porte, vendem tudo que possa imaginar da culinária oriental. Mesmo que você não tenha intenção em comprar algo, vale a pena entrar somente para conhecer esses produtos Made in Japan.
Para as mulheres que curtem cuidar dos cabelos, corpo e pele a dica é visitar a loja de cosméticos Ikesaki. Lá, encontrarão desde um esmalte para unhas até produtos profissionais, como um bom secador de cabelos, cremes importados e tudo para montar um salão de beleza. Já perto da Rua São Joaquim, numa kombi/trailler encontrará sorvetes de massa a preços bem populares e de boa qualidade. Ainda em todo o trajeto poderá encontrar camelôs vendendo de tudo que é possível, desde bichinhos plásticos até programas piratas para computadores em japonês, chinês e outras línguas orientais.
O barato de visitar a Liberdade é o ar oriental que o bairro produz, dando a impressão que realmente estamos num outro país. Tudo faz parte deste clima, o conjunto de lojas típicas, os mercadinhos, os próprios moradores, os turistas, o jardim oriental , a decoração das ruas e as luminárias em forma de lanternas. Claro, o bairro está precisando de uma reforma, suas calçadas estão em péssimo estado de conservação, como as grades dos viadutos e os portais com suas pilastras vermelhas. Perto da rua São Joaquim existem toaletes públicos fechados há anos, na parte de cima da entrada vê-se uma placa enferrujada da administração do prefeito Reinaldo de Barros. Imaginem, ele foi prefeito no período de 1979-1982. Será que essa placa foi incorporada a parte histórica do bairro? Há anos existiu um projeto de ligar os viadutos Cidade de Osaka e Mie Ken (embaixo passa a ligação leste-oeste) formando uma praça, porém, o projeto nunca saiu do papel . Um fugida do burburinho turístico, andando pelas ruas dos Estudantes, Américo de Campos, da Glória, Barão de Iguape e São Joaquim você encontrará outros restaurantes, mercadinhos, cortiços, etc. compondo um ar de mistério. Diz uma lenda que na região moram pessoas pertencentes a yakuza , que é a máfia japonesa. Será?
O bairro que já foi da Forca, dos italianos e atualmente dos japoneses, dos chineses e coreanos é um dos mais querido de São Paulo e todo final de semana está repleto de pessoas se fartando de comidas orientais, outros buscando a brasilidade de um bom acarajé e na sua grande maioria voltam para suas casas com sacolas cheias de quinquilharias levando boas recordações de um final de semana com gosto de oriente.
Visitem também: Jardim Oriental na rua Galvão Bueno; Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa na rua São Joaquim, 381 ; Comunidade Budista Soto Zenshu na rua São Joaquim, 285

Aprenda a fazer tempura, empanado leve e saudável.
Traduza seu nome para o japonês:
Dicas turísticas:
Escrito por Hélio Bertolucci Júnior às 16:14
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Quando o nosso blog foi criado no início do ano, ficamos com a incumbência de escolher um nome, que entre tantos, o escolhido foi o sugerido pela nossa colega de curso Viviane. A partir daquele momento nossa página ganhou o nome de EAT ART.
Porém, com a minha mania de fuçar coisas no Google observei que este nome, o mesmo que tem o nosso blog, é um movimento artístico também denominado Eat Art: A arte de comer, lamber ou devorar uma instalação. Pelo pouco que pude entender, pois a principal galeria de Eat Art fica na França e eu não entendo nada de francês, um trabalho não necessariamente precisa ser comestível, o artista também pode trabalhar com mesclas de objetos como: um limão ao lado de uma lâmpada, latas de comidas, cascas de laranjas empilhadas, etc. Mas existem os trabalhos tradicionais, aqueles trabalhados exclusivamente com alimentos, legumes, chocolates, etc.

O site do Museu de Arte da Universidade de Harvard, traz texto sobre o movimento Eat Art e sobre os trabalhos dos artistas Joseph Beuys (1921-1986), Dieter Roth (1930-1998) e Sonja Alhäuser (b. 1969).
A artista Sonja Alhäuser trabalhando Eat Art:
O site Pitoresco, que traz vários assuntos ligados às artes plásticas, é o único da língua portuguesa que trata do assunto:
O Eat Art surgiu nos anos 60 e tem hoje a capital francesa como um de seus principais veículos , a ponto de Paris lhe erigir um templo. A galeria Fraîch’Attitude, inaugurada há três anos, é a primeira na Europa a dedicar-se exclusivamente ao Eat Art.
A galeria encerrou em novembro de 2004 uma retrospectiva, com trabalhos — alguns, devidamente comidos
— de vários artistas, entre eles, o suíço Daniel Spoerri e a francesa Dorothée Selz. Spoerri não é um nome qualquer ,mas um dos fundadores do movimento artístico conhecido como Novo Realismo, ele é o inventor do Eat Art na década de 60 e tem obras em vários museus, como o Tate, de Londres. A francesa Dorothée Selz é outra veterana do movimento, foi ela quem criou um enorme afresco comestível que marcou a inauguração da Galerie du Jeu de Paume, em 1991.
— O primeiro a fazer entrar a comida nas Belas Artes foi Daniel Spoerri. Ele lançou esta idéia do Eat Art, utilizando a comida como um material de criação contemporânea para uma obra de arte — conta Cristophe Spotti, diretor da Fraîch’Attitude. [...]
Leiam mais em:
Pitoresco.com.br
Mulheres na Eat Art

A AAWAA- Aliança das Mulheres Artistas Ásio-Americanas, com sede no bairro do Brooklin , na cidade de Nova York, já realizaram algumas exposições dentro do movimento e comentam que um trabalho "arte comestível" traz não só o alimento, mas o humor, o prazer visual, o divertimento, o comer, o gosto, a surpresa e a metáfora. A oitava mostra está programada para dezembro/2005.
Assim como nós, alunos de pós-graduação da Universidade Belas Artes de São Paulo digerimos Eat Art no quesito cultural, outras pessoas no mundo trabalham o conceito arte comestível, na essência da palavra, que pode ser comer tanto com a boca ou com os olhos.
Categoria: Artes e Arquitetura
Escrito por Hélio Bertolucci Júnior às 17:19
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A vida brasileira contada através de usos e costumes

Viver no século XXI sendo bombardeado vinte quatro horas por inúmeras publicidades nos leva a acreditar que a vida resume-se, entre outras coisas, comprar o último lançamento automobilístico, a calça jeans de grife, uma cozinha planejada de marca européia, perfumes franceses, sapatos italianos, ou ainda, viagens ao redor do mundo, um cruzeiro num belíssimo transatlântico, o telefone celular de terceira geração, palmtops, notebooks, comunicações via e-mail e internet. No entanto esquecemos que a vida brasileira já teve um cotidiano extremamente comum e pacato, longe de todos esses padrões tecnológicos, onde o homem saia para trabalhar e a mulher ficava em casa cuidando dos animais domésticos, da horta, do almoço, do jantar, das roupas e da educação dos filhos.
Como você se imaginaria vivendo há um século e meio atrás? Se nada lhe vem em mente, digamos que seu cotidiano fosse mais ou menos assim:
- os acessórios dos seus móveis: almofadas, travesseiros, mosquiteiros peças usuais e que podem ser encontradas com facilidade, diferente dos dosséis, sobrecéus, enxergões e baldaquinos, hoje em dia menos conhecidos. Podemos perceber a partir desses objetos, o luxo ou a pobreza nas casas brasileiras.
- alimentação: [...] nas casas senhoriais muitas vezes se jantava em torno de uma esteira no solo, no máximo coberta com uma toalha, e se comia com as mãos, convenientemente lavadas, antes e depois das refeições, por água em potes trazidos por escravos. Os horários das refeições eram outro, no século XIX ainda chamava-se de jantar a refeição entre o meio dia e uma da tarde. À noite, servia-se o chá. O mate, no sul, já era sorvido, há séculos, na cuia com a bomba. Uma descontração à mesa, especialmente com as mulheres afastadas, levava, para escândalo dos estrangeiros, à "suspiros de repleção que se sucedem de uma maneira sonora", conforme escrevia o viajante italiano Tollenare, em 1818.[...]
- higiene: [...] O banho, por exemplo, incluía precauções e economias hoje esquecidas. Assim, quando se tratava de recuperar a saúde de crianças e idosos enfermos, a imersão do corpo inteiro na água destinada ao banho despertava suspeitas. Desconfiava-se do risco de mudanças abruptas da temperatura corporal ou, quando a água era aquecida, do perigo de deixá-la infiltrar pelos poros, desequilibrando os humores. Nesses casos, o contato com a água devia passar por algumas regras, mantendo-se comedido: pouca água e imersão do corpo por um tempo rápido, evitando friagens, amolecimento e fraqueza. [...]

Se você achou tudo isso muito estranho mas ficou com muita vontade em se aprofundar nesta viagem, basta visitar o site do Museu da Casa Brasileira que apresenta em versão eletrônica e em CD-room o conteúdo do acervo "Equipamentos da Casa Brasileira. Uso e Costumes". Vinte e oito mil fichas foram digitalizadas no decorrer de oito anos, sob a liderança de Ernani Silva Bruno, advogado de formação, jornalista e historiador por atuação, intelectual inquieto e brilhante, que o museu teve como seu primeiro diretor, de 1970 a 1979. Funcionários e ex-funcionários também participaram em diferentes graus de dedicação.
O acervo está estruturado em 24 temas: abastecimento de água, acessórios de móveis, alimentação, anexos da casa, apetrechos de trabalho, armas, aspectos gerais da habitação, brinquedos, comércio, construção, materiais e técnicas, costumes domésticos, decoração, equipamentos de transporte, higiene, iluminação, indústria caseira, instrumentos de castigo, instrumentos musicais, móveis, objetos de uso caseiro, objetos de uso pessoal, rouparia, utensílios, vestes e jóias. Contém ainda informações de diferentes fontes, tais como cronistas e viajantes dos séculos XV ao XIX, ficcionistas do século XIX, além de inventários e testamentos de famílias, manuscritos do Arquivo do Estado de São Paulo e mais volumes dos Autos da Devassa da Inconfidência Mineira.
É um fantástico regresso ao passado, um túnel do tempo, que pode ser pesquisado por assunto, por palavra-chave e ainda montar sua própria pesquisa. Para completar toda essa viagem, através das obras de Gilberto Freyre, você poderá conhecer muitos detalhes de como as pessoas viviam naqueles períodos.
Vista sua calça de lila preto e brochada, com um fraque cor de rapé ou seu vestido de tarlatana com laivos escarlates e boa viagem!
Basta um clique no link abaixo:
Usos e Costumes - Arquivo Ernani Silva Bruno
Museu da Casa Brasileira – Av. Brigadeiro Faria Lima, 2705 – São Paulo – SP
Escrito por Hélio Bertolucci Júnior às 12:45
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EAT ART - Hélio está BUSY ART - Hélio, mas vou deixar algumas dicas de coisas bacanas para fazer neste final de semana

• SESI Vila Leopoldina convida para a peça de teatro Anna Weiss, direção do escocês Mike Cullen. De 20 de outrubro a 11 de dezembro de 2005. Recomendação 16 anos - Drama - 75 minutos. Entrada grátis. De quinta à sabado às 20 horas; domingo às 19 horas. No elenco Abrahão Farc, Denise Weinberg e Paula Lopez. Direção de Alexandre Tenório. O teatro fica na Rua Carlos Weber, 835 - Vila Leopoldina - SP - SP - Tel: 3832- 1066
• O Memorial da América Latina apresenta a exposição Homenagem a Niemeyer - Esboços do Memorial, na Galeria Marta Traba. A galeria fica Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664- Barra Funda - SP - SP. Tel: 3823-4604. Entrada franca de terça a domingo.
•A Associação Brasileira dos Artistas Plásticos de Colagem, Aliança Francesa de São Paulo, EBCT e Nakombi promovem a mostra de colagem Parapeitos - O Soutién na galeria da própria Alianca Francesa na Av. Santo Amaro, 3921 - SP - SP. Tel: 3017-5682
• No Centro Cultural Vergueiro - Eventos Gratuitos - Cinema
Cinema de quebrada no CCSP
até dia 19
O cinema sul-coreano em foco
de 1° a 6
Italianos clássicos
de 8 a 13
O Centro Cultural fica na Rua Vergueiro, 1000 - Acesso pela estação do Metrô Vergueiro
Escrito por Hélio Bertolucci Júnior às 15:28
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